sexta-feira, 13 de abril de 2007

ÚLTIMAS NOTÍCIAS: Como vai este país?

Como vai este país?
Vai e não vai, não é?Para uns vai, para outros vem, para outros tantos nem vai, nem vem, nem fica.
O PSD diz mal do Sócrates, o que só lhe fica mal porque só diz mal e ponto; O CDS do Portas anda a ver se se entende e se se encontra - mas também não faz mal, nem faz falta - ; o PCP passou à disponibilidade a sua deputada Odete Santos; o Bloco não sabe o que é que anda a fazer e o povo trabalha para eles todos ao som do "Bacalhau Quer'Alho".
Enfim! Vou contar-vos uma história:
Era uma vez um país à beira-mar plantado, com nove ilhas rodeadas de mar por todos os lados e outras duas que nem sequer sabem se são ilhas pois têm um manageiro que tem a mania que é almirante e que anda a tentar afundá-las a um ror de anos.
Nesse país havia de tudo e não havia nada; havia corruptos, medíocres, pessimistas, incompetentes profissionais, profissionais incompetentes e o resto da população eram funcionários públicos.
Mas nesse país também não havia incorruptíveis, bons, optimistas, competentes profissionais, profissionais competentes e o resto da população trabalhava honestamente. Esse era o país da utopia cantado por José Afonso e em que todos acreditavam a 25 de Abril de 1974, já no século passado mas ainda tão presente a muitos dos seus habitantes.
Neste país real há engenheiros civis que são primeiros-ministros, ministros da cultura que adoram os "concertos para violino" de Chopin e mandam agradecer pessoalmente a Machado de Assis a oferta da sua obra encadernada, músicos que são encenadores, escritoras que são directoras de teatros, comerciantes que são directores ,carteiros que são operadores de luz, bancários que são não sei quê, gestores que são presidentes, fotógrafos que já foram qualquer coisa , economistas que também já foram e outros ainda são presidentes e por aí fora... É o país d'alguns (muitos) duplos empregos causando o famosíssimo desemprego!
Ah! E para cúmulo o sacaninha do Salazar, que mesmo depois de morto, ainda continua a fazer das suas. Agora, como ele costumava fazer quando era vivo, juntou os outros mortos todos e fez-se eleger O Melhor Português de Sempre. Isto só mesmo com a Maria Elisa!
Ora como se pode calcular um país assim não vai a lugar nenhum.
Aliás, nem sequer se sabe se ele quer mesmo ir a algum lado.
Cá por mim tenho as minhas dúvidas. E logo por azar nasci e vivo nele. Pior só poderia ser ter nascido em Darfur.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

C.I.A. - Companhia Independente de Artes - Associação Cultural

Este é o logo da companhia onde me insiro na área do Teatro, sediada na cidade da Praia da Vitória e é da autoria de Lino Borges









Mãe

Ainda não é hoje que te consigo escrever, mãe.
Mas não desisto e sei que hei-de conseguir.
Apenas e só um grande beijo.
Aquele. Aquele beijo que tu tão bem conheces.
Do filho
Gonçalo

terça-feira, 10 de abril de 2007

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Pensar o que quer que seja em termos de Arte, coloca sempre a quem o faz, problemas de vária índole; começando pelos espaços físicos, a programação destes, as limitações educacionais (culturais) da população em geral a quem a programação será dirigida, os meios técnicos a disponibilizar e, fundamentalmente, as questões éticas, morais, políticas (não partidárias!) e de dignidade humana que devem estar subjacentes e serem por isso suporte de toda a actividade artística, entre muitas outras questões que seria fastidioso enumerar.

De qualquer das formas em relação a uma atitude, neste caso específico “artística”, é importante delinear alguns objectivos. Como afirmam Jean-Claude Landier (animador em centros de actividades dramáticas e faz parte do Groupe de Recherches de Paris III) e Gisèle Barret ( doutorada em pedagogia da expressão dramática e professora na Universidade de Montreal e no Instituto de Estudos Teatrais de Paris III) “o desenvolvimento das mais variadas actividades expressivas e artísticas ( música, canto, dança, expressão dramática, teatro) permite algumas esperanças sobre a revivescência do senso criativo no nosso país. (…) o desejo de lutar contra a anemia cultural desponta no horizonte. O Maio de 68 deixou-nos como herança um slogan, “a imaginação ao poder”, que felizmente não perdeu actualidade!”

Para a nova sociedade nova que aí vem e se pretende, há que começar a formar na de hoje, a partir de agora, espíritos flexíveis, empreendedores, aptos a sair dos caminhos batidos.

Mas em termos mais gerais ao nível das Artes coloca-se sempre a eterna questão dos subsídios. Devem ou não serem subsidiadas as Artes? A grande maioria da população, muito possivelmente, dirá que não, esquecendo-se que toda a economia actual – nos mais diversos sectores – tem uma forte componente subsidiária: da agricultura às pescas, do turismo ao desporto, da exportação comercial e industrial aos transportes, etc..

Na minha opinião e, por exemplo, na opinião mais que avalizada de António Pinto Ribeiro, as artes necessitam de ser subsidiadas. E esta não é apenas uma questão portuguesa. Desde a União Europeia ao Canadá e à Austrália a política de apoio subsidiário é muito importante e abrange desde a criação ao apoio à circulação exterior. Até mesmo na super potência americana (leia-se Estados Unidos da América) existe uma actividade subsidiária exercida por órgãos governamentais federais e estaduais de que o melhor exemplo é o National Endowment for the Arts, organismo responsável pelo apoio à criação artística.

Voltando a Portugal e recorrendo uma vez mais a António Pinto Ribeiro, “A ideia de que o subsídio às Artes e às actividades culturais é um desperdício tem a sua raiz mais profunda na desvalorização que estas actividades têm na sociedade portuguesa, desvalorização esta agravada pelo fosso entre práticas modernas e contemporâneas minoritárias (portanto com mais necessidade de serem subsidiadas) e um ambiente de cultura ‘kitsch’ dominado pelos produtos das televisões generalistas e seus sucedâneos numa combinação, de facto, rentável. (…) É naturalmente um problema de iliteracia mas também de desconhecimento dos mecanismos de promoção pelos quais se rege o mercado das artes.”

Mas muito mais que o subsídio à criação a preocupação de agentes e programadores culturais, detentores dos poderes decisórios de políticas culturais e de todos os que têm como preocupação premente o banir da iliteracia cultural e educacional, deverá ser o do subsídio que possibilite a formação e o crescimento de públicos de modo a que, a longo prazo, estes possam constituir, não a única fonte de recurso dos artistas, mas a mais importante. Ou seja, como mais uma vez afirma A. Pinto Ribeiro, “… cabe também aos criadores desenvolver uma relação mais directa e prática com a comunidade (espectadores/contribuintes/fruidores) em que estão inseridos, de forma a que esta valorize a sua actividade e, a passo e passo, a considere necessária.” Até porque amputando as políticas subsidiárias até se chegar ao ponto anterior é correr o risco de construirmos e mantermos praticamente uma sociedade de meios urbanos e suburbanos sem teatro, sem música, sem dança, sem pintura, sem livros, sem suplementos literários ou de arte, sem jornalistas de cultura, sem filmes, sem artistas, sem exposições de arte, sem documentários de cinema, sem crítica…

E a vida, como seria?

Mas falar de cultura impõe a definição desta. Seja a definição académica ou o significado livresco ou de dicionário, independentemente destas não poderem fugir muito do significado da raiz etimológica da palavra. Tendo a sua origem no latim o seu significado seria “cultura da terra e do espírito”. Deixando para trás sem menosprezar de maneira alguma o cultivo da terra (abençoada seja!), segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora de 1993 ‘cultura’ significa “aplicação do espírito a uma coisa; desenvolvimento dos conhecimentos e das capacidades intelectuais, quer em geral, quer num domínio particular; maneiras colectivas de pensar e de sentir, conjunto de costumes, de instituições e de obras que constituem a herança social de uma comunidade ou grupo de comunidades; conjunto de conhecimentos de alguém; sabedoria; elegância”. Depois das definições académicas só nos resta a observância do fenómeno cultural através dos vários olhares filosóficos, o que nos levaria a um gasto inusitado de páginas plenas de palavras (ideias) que, no mínimo, nos transportariam para o universo dos Tratados.

Por uma única razão, a de despertar consciências, valerá a pena aflorar a questão, lembrando que foram os sofistas os primeiros a elaborar um conceito de cultura centrado na formação do ser integral do homem, e não numa suma de noções. Isto por um lado, mas por outro os cínicos e os estóicos defenderam a luta contra o artificial e antinatural, preconizando uma vida segundo a natureza. Mas é o séc. XVIII que nos traz uma reflexão sistemática e profunda sobre a essência da cultura, que atinge o seu apogeu com Hegel e Nietzsche, entre outros, que recusando a hegemonia do positivismo que pretende um conhecimento objectivo do real, a filosofia da cultura, partindo da realidade espiritual como fundamento, faz radicar os objectos culturais no poder criador do espírito (os mitos, as lendas, as crenças, os costumes, etc..).


Vista paronâmica da cidade da Praia da Vitória

O cair da tarde nos Biscoitos

Pôr-do-sol nos Biscoitos

Praia da Vitória ao cair da tarde

Praia da Vitória à noite

Mundanismo Pequeno-Burguês

A festa anual dos Castros

(dos Sousas ou dos Meirelles

tanto faz: o nome é fictício

o resto não)

foi uma parada de elegantes

decorreu em grande entusiasmo

alta protuberância

e nenhum sarcasmo.

Adjectivadas apresentações.

Havia poetas escritores

músicos ensaístas

ainda comendadores

e muitas senhoras

senhoras casadísssimas

com papéis e tudo

e outras só íssimas.

Também havia dois ascetas

meninas de escolher para dançar

e rapazes que faziam piruetas.

Uma antepassada viúva

que estava presente por engano

suspirava antigamente um minuete

nos atentados ao piano.

Três velhos que não dançavam

por causa da espondilose

adormeceram de combinar

a queda fatal de um ministério.

de Mendes de Carvalho

domingo, 8 de abril de 2007

APRESENTAÇÃO

Aqui estou.
Inteiro.
E nu, como sempre.
Já começo a ficar um bocadinho farto de andar a pregar aos peixes literalmente falando.

Esta sociedadezinha de fala-baratos, incompetentes e medíocres que estão ao comando das estruturas sociais que nos rodeiam, continua a enojar-me de sobremaneira.
Isto deve ser da idade. Mas na realidade uma sociedade onde modelos são actores, músicos que são directores técnicos, carteiros que são operadores de luz, entre tantos outros incompetentes, não pode, nem deve chegar a lugar nenhum.
Cada vez menos compreendo a História deste nosso Portugal; um povo com quase mil anos de existência que fez o que fez, que descobriu o que descobriu, que teve e tem das mentes mais brilhantes da humanidade, anda agora a ver passar carros-eléctricos porquê?
Alguém que me explique, por favor!
Retirem-me esta dúvida existencialista!
E grito:
Assim não me é possível continuar a conviver socialmente! Tirem-me deste filme!
Ah! E como se nada disto bastasse, o sacaninha do Salazar, mesmo depois de morto, ainda continua a fazer das suas. O melhor português de sempre!???
Francamente... Francamente...
Vou parar. De repente começou a doer-me a cabeça...

GonçalOliveira